http://www.seduc.mt.gov.br/Paginas/A-imprescind%C3%ADvel-a%C3%A7%C3%A3o-das-rela%C3%A7%C3%B5es-interpessoais-no-%C3%A2mbito-escolar.aspx

A escola tem papel fundamental na formação do individuo, e o compromisso de propiciar ações para a efetivação dos direitos sociais. Neste contexto, a educação em geral tem a função de possibilitar e de oferecer alternativas para q

ue as pessoas que estejam excluídas do sistema possam ter oportunidades de se reintegrar através da participação, bem como da luta pelos direitos sociais e o resgate da cidadania.

A escola que todos almejam, deve estar regulada na lógica de um espaço ideal para a construção de uma sociedade sadia, uma escola democrática com formação para a cidadania. Aquela que tem como bandeira o combate á exclusão social e que possa, ao mesmo tempo, trabalhar a relação escola-aluno-família, possibilitando que a comunidade escolar participe de forma assídua a todos os interesses que envolvam o bom andamento do ensino aprendizagem e do sucesso escolar em geral. E propondo colaborar com o desenvolvimento do ensino-aprendizagem, tendo em vista que o homem é um ser ativo, social e histórico Bock (2002) enfatiza que a psicologia no âmbito da educação foi construindo formas de compreensão do ser humano, cujas condutas no espaço escolar são compreendidas a partir das relações que se estabelecem entre si, e dando atenção às diferentes subjetividades construídas na relação com a cultura e a sociedade. Para o autor é da psicologia que o sujeito começa a relacionar-se com o mundo, tendo em vista que a escola é responsável pela construção, elaboração e difusão do conhecimento, formando cidadãos críticos capazes de lidar com os desafios da época bem como com as influencias interpessoais deparadas em diferentes pessoas e situações.

Percebemos no decorrer da pesquisa que as relações interpessoais e a aprendizagem possuem característica em comum, para que venham acontecer é necessário pelo menos duas pessoas, portanto em um ambiente escolar ela se faz fundamental devido os grandes desafios cotidianos que a escola enfrenta, Nesse mesmo sentido, Goergen (2005) defende que o sujeito não forma a sua identidade a partir de um impulso subjetivo, mas a partir da relação intersubjetiva com o outro, no meio social no qual vive. Portanto, para o autor, a formação moral do sujeito depende fundamentalmente do contexto com o qual ele se relaciona interativamente. Para o autor, o problema ético não é individual, é a relação do indivíduo com a comunidade.

Estamos em um momento de transição de paradigmas, que solicita uma maior abertura por parte daqueles que lidam com a educação, e uma relação de confiança, admiração e respeito são fundamentais para aprendizagem do aluno, sabemos que se há respeito mútuo e admiração no contexto escolar o professor não necessita usar de artifícios como o autoritarismo para punir ou fazer com que o aluno tenha um bom desenvolvimento em sala de aula.

É sabido que uma das maiores dificuldades deparadas por professores e profissionais da educação é justamente a possibilidade de mudar sua forma de pensar. Porém, uma vez superada essa dificuldade inicial, ainda que os novos caminhos que se descortinam não se apresentem como mais fáceis, torna-se possível perceber outras dimensões da realidade, como por exemplo, do direito ao diálogo, à livre expressão de sentimentos e ideias, ao tratamento respeitoso, à dignidade e tantos outros aspectos que contribuem para a configuração de ambiente escolar harmonioso e igualitário.

Um grande desafio que a escola enfrenta é a construção de proximidade e empatia no processo de ensino e de convivência, á saber que para a efetiva construção destes é necessário se levar em consideração o ambiente, as experiências, os saberes, enfim a realidade local, portanto, é necessário adotar uma postura dialógica baseada na vida pessoal de cada um, buscando compreender as complexidades e os saberes um dos outros. Considerando que é impossível obter sucesso nas relações de convivência e no ambiente escolar se o gestor e demais participantes não tentarem de forma ousada e permanente essa busca de excelência e de relações saudáveis no convívio escolar, bem como na vida social em geral, pois é no convívio em geral que se dá a proximidade e empatia, e o gestor tem aí o papel principal que é o de liderar uma equipe, cujo objetivo é trabalhar em prol de uma educação de qualidade, segundo LÜCK (2005) a liderança deve ser baseada no bom senso e nas ações democráticas:

 

A liderança participativa é uma estratégia empregada para aperfeiçoar a qualidade educacional. Constitui a chave para liberar a riqueza do ser humano que está presa a aspectos burocráticos e limitados dentro do sistema de ensino e a partir de práticas orientadas pelo senso comum ou hábitos não avaliados. Baseado em bom senso, a delegação de autoridades àqueles que estão envolvidos na realização de serviços educacionais é construída a partir de modelos de liderança compartilhada, que são os padrões de funcionamento de organizações eficazes e com alto grau de desempenho ao redor do mundo. (LÜCK2005, p.35)

 

Ainda cabe ao gestor a função de trabalhar com os conflitos e as diversidades de personalidades, vez que cada indivíduo traz para o convívio social e escolar suas peculiaridades e culturas, então o gestor deve estar preparado para buscar alternativas que atenda o interesse de todos, e principalmente compreender que o sucesso escolar depende da participação efetiva de todos os profissionais, incluindo vigias, merendeiras, pessoal de apoio, agentes administrativo, enfim estabelecer um convívio de harmonia e conscientização em prol de uma educação de qualidade.

 

 

1 – A IMPORTANCIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO ÂMBITO ESCOLAR

 

As relações interpessoais referem-se á relações humanas, englobando assim as relações públicas, relações comunitárias etc.       As relações humanas ocorrem a partir do processo de interação sendo dividida em relação interpessoal (a interação entre duas ou mais pessoas, no lar, na empresa, na igreja na escola, etc.) e intrapessoal (a comunicação que mantemos conosco mesmo).

O processo de aprendizagem está ligado às relações interpessoais, pois a figura do professor passa a representar um vínculo favorável ou desfavorável para determinados tipos de conhecimentos, à saber, que na maioria das vezes alguns alunos não aprendem a disciplina porque passam a classifica-la devido a relação que tem  com o professor. O respeito mútuo que se estabelece garante a harmonia das relações interpessoais na escola e na sala de aula e é caracterizada como um verdadeiro fenômeno social. Nas relações interpessoais, encontram-se ações consideradas negativas e positivas, sendo Positivas: aceitar as pessoas como elas são, ouvir com atenção os sentimentos do outro, ser paciente, ser simpático, demonstrar interesse e respeito pelo outro e etc, e Negativas: acomodar-se, se tornando um indivíduo “morno” e sem graça, julgar de forma equivocada e desnecessária, impor pensamentos e opiniões e etc, conforme nos afirma Minucucci (1978) “saber ouvir é uma das mais importantes ferramentas de comunicação interpessoal, vindo em segundo a empatia, pois a sensibilidade social faz com que o sujeito compreenda determinadas situações sem precisar se envolver de forma direta”.

O sujeito se surpreende às vezes, por não se dar conta de determinados comportamentos, e sequer refletem sobre o porquê de suas atitudes, é fazendo uma reflexão intrapessoal que o ser humano se torna eficiente nas relações interpessoais, portanto é se autoconhecendo e entendendo as barreiras e defesas que limitam o próprio relacionamento que o sujeito estabelece metas em busca de compreender e melhor se relacionar com o outro.

Minucucci (1978) enfatiza que muitas pessoas não tem sucesso nas relações interpessoais simplesmente porque vêem e julgam os outros pelos seus estereótipos, vendo os outros pela cor de seus óculos, pois nós formamos impressões de outras pessoas ao observar suas ações, sua voz, seus gestos e seus modos de se expressar Por intermédio da percepção social formamos impressões sobre às pessoas e por meio de nossas experiências com elas. O comportamento (atitudes, condutas) das pessoas é que nos leva a percebê-las e a julgá-las” (p-36).

As relações interpessoais são grandes responsáveis pela formação de valores morais, á saber, que segundo Piaget (1954) os valores se referem a trocas afetivas que o sujeito realiza com o exterior, sendo assim, da projeção dos sentimentos sobre objetos, pessoas e/ou relações. Cada individuo constrói seu próprio sistema de valores, que se integra à sua identidade, logo, a identidade de cada individuo é formada através do meio em que se vive, das pessoas com quem se relaciona e principalmente da ideologia no qual esta submergido. E estes valores muito influenciam em nossa conduta.

Se tomarmos como ponto de partida as ações desenvolvidas no contexto escolar, podemos perceber que as relações interpessoais são evidenciadas principalmente a partir da forma como o gestor conduz as ações desenvolvidas dentro da escola, e para tanto é preciso ancorar na visão de LÜCK (2005), onde ele destaca a importância de uma implementação de ações participativas e democráticas na unidade social:

 

A abordagem participativa na gestão escolar demanda maior envolvimento de todos os interessados no processo decisório da escola, mobilizando-os, da mesma forma, na realização das múltiplas ações de gestão. Esta abordagem amplia, ao mesmo tempo, o acervo de habilidades e de experiências que podem ser aplicadas na gestão das escolas, enriquecendo-as e aprimorando-as. (LÜCK. 2005, p.18)

 

 

Apesar disso, esta implementação de uma gestão escolar participativa democrática, é sem duvida uma exigência da sociedade. Como seres humanos estabelecemos uma comunicação verdadeira através de nossas percepções e para tornamos possível uma boa relação interpessoal, é preciso considerar três aspectos na percepção social, o percebedor (pessoa que observa e tenta compreender o outro), percebido (pessoa que está sendo observada e compreendida) e situação (o meio onde as ações de percepção acontecem).

Baú[1] frisa que quando o individuo se sente rejeitado, ou inferior, ele se desestrutura, e na maioria das vezes se submerge á um complicado estado de depressão, e isto também ocorre no meio educacional, pois a escola é um centro de relações que podem ser instrumentos positivos ou negativos de acordo com a intencionalidade de cada um.

Por isso é importante que o educador – uma vez que é visto como responsável pela transformação e qualidade da educação- estimule o educando de forma positiva e significativa, buscando estabelecer uma constante interação entre aluno/aluno e aluno/professor.

Toda escola deve ter como prioridade a formação de todos os seus profissionais, onde todos sejam mobilizados a aperfeiçoarem suas competências, melhorarem a eficiências de seus trabalhos, pois a escola deve ser um ambiente de aprendizagem não só para os alunos, mas para educadores e demais profissionais. Para que se tenha uma participação efetiva no ambiente escolar, é preciso que todos tenham consciência de sua importância, e principalmente que todos tenham a serenidade de estabelecer diálogos no intuito de aperfeiçoar suas atividades, lembrando que a verdadeira relação interpessoal esta ligada nos problemas extraescolar e intra-escolar, ou seja, um indivíduo deve ser compreendido levando em consideração sua vida dentro e fora do ambiente escolar, assim como afirma LÜCK:

 

A abordagem participativa na gestão escolar demanda maior envolvimento de todos os interessados no processo decisório da escola, mobilizando-os, da mesma forma, na realização das múltiplas ações de gestão. Esta abordagem amplia, ao mesmo tempo, o acervo de habilidades e de experiências que podem ser aplicadas na gestão das escolas, enriquecendo-as e aprimorando-as. (LÜCK. 2005, p.18)

 

Uma escola que promove a redistribuição de responsabilidades e trabalha em equipe proporciona um espaço de troca de saberes e delegações no objetivo de estabelecer uma aprendizagem significativa ao aluno e conquistar o sucesso da escola através de ações que são conduzidas com os interesses e os anseios de todos.

 

2 – O IMPORTANTE PAPEL DO GESTOR PARA O BOM DESENVOLVIMENTO ESCOLAR

 

Neste contexto entendemos que embora o professor seja o carro chefe em busca da formação de identidade de um individuo, o diretor-gestor é a peça fundamental para a inovação ou para o desenvolvimento de qualquer inovação pedagógica e principalmente para o sucesso de todas as atividades que são desenvolvidas dentro do ambiente escolar. E para que de fato isso aconteça é necessário que o gestor tenha um perfil ético e uma relação saudável com professores e demais funcionários da escola, é necessário que um líder pedagógico tenha a sutileza no tratamento pessoal com os demais colaboradores, conquistando a admiração e colaboração de todos os envolvidos no setor educacional.

E a comunicação é fator primordial no que se refere às Relações Interpessoais, pois ela é responsável por toda a ação de um individuo, agindo assim como uma “faca de dois gumes” que tem função tanto de causar mudanças quanto desavenças. Então é necessário usar sempre de uma linguagem, um diálogo que transmita confiança, controle da situação e principalmente respeito ao outro. Enfatizar o diálogo, usar de uma linguagem clara nos conduz a um estudo interessante de Leila Perrone-Moisés, que em seu ensaio intitulado Promessas, encantos e amavios, esboça uma opinião interessante sobre a forma de se reportar ao outro. Na argumentação da autora:

 

A linguagem não é só meio de sedução, é o próprio lugar da sedução. Nela, o processo de sedução tem seu começo, meio e fim. As línguas estão carregadas de amavios, de filtros amatórios, que não dependem nem mesmo de uma intenção sedutora do emissor. (PERRONE-MOISÉS, 1990, p. 13).

 

Nesse viés entendemos que o Gestor deve sempre se portar ao aluno e profissionais da educação de forma que seu discurso e seus objetivos sejam ouvidos não como forma de imposição, mas sim de forma que prenda por sua tranquilidade e seus amavios a atenção do outro, que respeitosamente travará um dialogo sereno e democrático independente da situação problemática momentânea.

È sabido que uma escola gerida de maneira autoritária não contribuirá para a formação de personalidades morais e para a construção do cidadão que acredita plenamente na democracia. Uma escola com direção autoritária, na qual todas as decisões são centralizadas nas mãos de uma única pessoa e cujas regras de convivência e o projeto pedagógico já se encontram predeterminados por valores e crenças preestabelecidos, não permite o diálogo e a sua reorganização constante com base na busca coletiva de novos e melhores caminhos para os desafios cotidianos que vivenciamos desde há muito tempo atrás.

É necessário enfatizar que todos pensam em uma escola como um lugar atrativo, uma escola capaz de superar suas dificuldades não com um gestor autoritário e carrasco e sim com profissionais que em vez de se lamentar por qualquer insucesso, consiga dialogar uns com os outros e traçar metas que podem alavancar o sucesso do ensino-aprendizagem, Alarcão (2001) faz uma reflexão em torno da escola que todos desejam, a autora descreve de forma sutil a escola como ela gostaria que fosse:

 

A ESCOLA COMO EU GOSTARIA QUE ELA FOSSE…

Quero uma escola comunidade, dotada de pensamento e vida próprios, contextualizada na cultura local e integrada no contexto nacional e burocrático mais abrangente. Não quero, pois, uma escola burocratizada que seja mera delegação ministerial.

Desejo assim uma escola que conceba, projete, atue e reflita em vez de uma escola que apenas executa o que os outros pesaram para ela […] Não quero uma escola que se lamente do insucesso como um pesado e frustrante fardo a carregar, mas uma escola que questione o insucesso nas suas causas para, relativamente a elas, traçar planos de ação. Uma escola que reflita sobre os seus próprios processos e as suas formas de atuar e funcionar […] Uma escola que saiba criar as suas próprias regras. Mas que, ciente da sua autonomia responsável, saiba prestar contas de sua atuação, justificar os seus resultados e auto avaliar-se para definir o seu desenvolvimento. (ALARCÃO, 2001, p. 82)

 

Cabe aqui ressaltar que para chegar a este patamar de escola inovadora, é antes de tudo elaborar através de diálogos e assembleias ações que conduzam a criação de uma escola autora e autônoma de suas ações, onde os profissionais da educação estejam cientes de que a aprendizagem é mutua, e jamais isolada.

Um estudo elaborado por Puig (1998) e apresentado no livro Democracia e participação escolar aponta formas concretas para operacionalizar o espaço democrático das assembleias na escola e na sala de aula, de acordo com Puig, as assembleias são o momento institucional da palavra e do diálogo. As assembleias ou conselhos é o momento ideal de falar das dificuldades encontradas no ambiente escolar, bem como de frisar as coisas positivas, felicitar as conquistas pessoais e do grupo e de discutir temáticas para projetos futuros.

A finalidade de assembleias bem como de reuniões regulares com docentes e demais profissionais da educação além de estreitar as relações interpessoais e a convivência no âmbito dos espaços coletivos, contribui para a participação das pessoas nos espaços de tomada de decisão. Uma escola que consegue promover a participação de toda a comunidade nos processos decisórios, por meio dos diversos tipos de reuniões ou assembleias seguramente estará caminhando para sua democratização efetiva.

Consideramos então que o Projeto Politico Pedagógico é a concretização de uma boa comunicação entre toda a comunidade escolar, e necessário se faz que haja relações interpessoais saudáveis entre os envolvidos, objetivando resultados adequados e principalmente que comporte a realidade escolar. Segundo o autor Almir Del-Prette (2001) o convívio social tem se tornado cada vez mais complicado, pois somos indivíduos diferentes uns dos outros tanto na forma quanto no pensamento, agimos e pensamos de forma diferenciada, e por este motivo, no intuito de melhorar a convivência e trabalhar de forma harmoniosa é que devemos aprimorar nossas Relações Interpessoais tentando entender que cada indivíduo é constituído de complexidades e personalidades próprias.

Quando o gestor da escola consegue propiciar constantes diálogos e a participação efetiva de todos, ele desperta a consciência de responsabilidade e importância do serviço de cada um, criando uma atmosfera de união e motivando assim todos àqueles que colaboram e lutam em busca de uma educação de qualidade e um ambiente agradável para se trabalhar.

Ao tentar a busca efetiva por recursos humanos da escola, o gestor consegue facilitar a formação continuada de todos os profissionais da escola, bem como a integração entre prática e teoria, e principalmente a troca de experiências. É sabido que uma escola que oferece cursos, seminários e demais projetos que além de envolver o profissional da educação ainda serve de apoio e incentivo para sua carreira profissional, esta escola esta caminhando para um perfil inovador. E este é um grande desfio principalmente para o gestor, que deve atuar como líder desenvolvendo formas de organização inovadoras com previsão e antecipação de mudanças se for necessários, objetivando sempre mudanças para enfrentar qualquer desafio que eventualmente possa surgir, usando sempre como válvula de escape um planejamento bem elaborado e participativo.

Para uma boa administração escolar o gestor precisa principalmente ter uma postura de líder que não mede forças para buscar as transformações necessárias englobando todos os envolvidos nas ações escolares, e quanto a estas transformações Lück afirma:

O ensino público no Brasil está experimentando transformações profundas. Reformas nacionais juntamente com iniciativas em âmbito estadual e municipal estão alterando as práticas pedagógicas e a organização escolar, na tentativa de dar eficácia à escola e universalizar o seu acesso. Nunca antes na história do Brasil a questão da educação pública foi tão evidente na mídia, na vida, na política e na consciência do cidadão comum. Vem-se reconhecendo amplamente que a educação é um elemento fundamental no desenvolvimento social e econômico e que o ensino no país […] (LÜCK. et.al. 2005, p.9)

Entendemos então, que toda administração publica requer um olhar especial voltado as transformações que de certo modo interferem nas praticas pedagógicas forçando mudanças á todo momento. Ainda na visão de Luck, toda gestão esta associada ao ato democrático do processo pedagógico, conforme ele destaca:

Gestão é uma expressão que ganhou corpo no contexto educacional acompanhando uma mudança de paradigma no encaminhamento das questões desta área. Em linhas gerais, é caracterizada pelo reconhecimento da importância da participação consciente e esclarecida das pessoas nas decisões sobre a orientação e planejamento de seu trabalho. O conceito de gestão está associado ao fortalecimento da democratização do processo pedagógico, à participação responsável de todos nas decisões necessárias e na sua efetivação mediante um compromisso coletivo com resultados educacionais cada vez mais efetivos e significativos. (Lück, 2006, p:1)

Assim entendemos que uma escola coordenada por um gestor que se preocupe com a interação de todos os envolvidos no processo de ensino aprendizagem, irá enfrentar com facilidades todos os desafios e dificuldades encontrados no ambiente escolar sem a preocupação de apontamentos, pois uma escola onde todos estão envolvidos no intuito de melhorar o ensino é uma escola que trabalha em equipe, portanto se surgir eventuais problemas serão atribuídos á todos.

 

3 – OS DESAFIOS DA ESCOLA ATUAL

O professor tem papel fundamental no que tange a socialização do conhecimento, bem como a formação de identidade dos indivíduos. O livro intitulado Escola Reflexiva e Nova Racionalidade organizado por Isabel Alarcão traz á tona reflexões em torno de uma nova maneira de se pensar e viver a realidade, abordando temas diversificados em seus sete capítulos, a autora tece argumentações principalmente sobre as novas perspectivas em relação aos desafios que a escola enfrenta em pleno século XXI, entre eles a evasão escolar, a globalização e a necessidade de se aperfeiçoar e se adaptar para cumpri sua missão no auxilio não só do desenvolvimento escolar, mas também social e econômico.

Alarcão expõe competências para o educador, sempre deixando claro que seu objetivo é contribuir com opiniões que auxiliem nas mudanças do ambiente escolar, de forma que os profissionais em geral estejam preparados para enfrentar o turbilhão de dificuldades que a escola enfrenta em seu dia a dia, mantendo o alvo em direção a uma mudança paradigmática e transformadora:

A mudança de que a escola precisa é uma mudança paradigmática. Porém, para muda-la, é preciso mudar o pensamento sobre ela. É preciso refletir sobre a vida que lá se vive, em uma atitude de diálogo com os problemas e as frustrações, os sucessos e os fracassos, mas também em dialogo com o pensamento, o pensamento próprio e o dos outros. (ALARCÃO, 2001, p. 15)

Ao sugerir uma mudança paradigmática, a autora reforça que mesmo sendo preciso seguir os padrões de mudanças estabelecidos pelo governo, toda escola deve levar em consideração sua realidade, e isto engloba seus problemas, sucessos, fracasso, enfim, ao se cogitar uma mudança é necessário dialogar com os pensamentos próprios e o dos outros, e isto só é possível se no ambiente escolar reinar uma relação interpessoal saudável entre todos àqueles que de fato são responsáveis pelo sucesso escolar.

Podemos considerar que esta escola inovadora que todos almejam só será possível quando administrada por pessoas reflexivas, por uma equipe pedagógica e de apoio que tenham o objetivo de trabalhar de forma participativa, cooperativa e ousada. È sabido que a escola é um espaço privilegiado para a formação de profissionais reflexivos, portanto, esta formação deve conduzir os profissionais a refletir e debater estudos que poderão ajuda-los a enfrentar todos os desafios que lhes são impostos, pois a escola precisa estar constituída de modo a criar condições que favoreçam o diálogo e a refletividade tanto individuais quanto coletivas.

Percebemos que alguns problemas e desafios tendem a crescer e ficam em uma margem de não solucionáveis, pois ainda, é grande o número de alunos que não chegam a completar 12 anos de estudos; pesquisas comprovam que ainda é grande a evasão escolar, as formações continuadas e programas de incentivo a elevação profissional revelam precariedade e pouca qualidade; muitos alunos têm baixos resultados nas avaliações de desempenho e de aprendizagem; e, muitos que concluem o ensino básico, além de não conseguirem entrar na universidade, também, carregam déficits elementares de aprendizagem. Existem problemas relativos à valorização, proletarização e precarização do trabalho docente; como também impasses com relação a gestão dos recursos educacionais; crescimento dos casos de indisciplina e violência escolar e além desses, a fragilidade e/ou baixa capacidade técnica, desconhecimento e/ou falta de vontade política, de órgão de fiscalização e gestão educacional, em relação a existência.

É sabido que a Educação em todo o Brasil tem melhorado gradativamente, mas ainda esta aquém do que se deseja, e os problemas e desafios aqui expostos  configuram-se em desafios e limites para consolidação da escola pública de qualidade para todos, revelam, ainda, que há muito que avançar .

Diante das transformações sociais e econômicas atuais, a escola tem por obrigação mudar, inovar de forma impactante para possibilitar a caminhada lado a lado com a evolução e cumprir assim com sucesso sua missão transformadora de formar cidadão críticos e passíveis de boa convivência.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escola é considerada como um espaço multicultural, no qual as diferenças, os problemas, as diversidades de conhecimento, as regras e valores fazem um emaranhado envolvendo uma gama de pessoas cujas características são diferenciadas, e as relações interpessoais são imprescindíveis para a convivência e o sucesso escolar.

O ambiente escolar em um todo age como um microssistema da sociedade, refletindo as transformações atuais bem como formando cidadãos críticos capazes de lidar com todo tipo de mudança rápida e de conflitos interpessoais, e principalmente se mantendo informados diante do mundo globalizado. Cidadãos participativos e competentes para atuar tanto na vida social quanto privada, preparados para conviver com a diversidade e o conflito de ideias, bem como as influencias presentes nas relações do sujeito consigo mesmo e com o outro. Podemos enfatizar que embora a escola enfrente diariamente problemas como a desvalorização profissional,  o desemprego, a violência, a modificações das relações familiares e tantos outros ele continua sendo responsável em fornecer o conhecimento, auxiliando as pessoas para que possam ter possibilidades e autonomia de participar efetivamente das políticas, continuando assim, a lutar por igualdade de direitos, e para que isso aconteça necessário se faz que a educação seja tratada como uma política social, uma politica que tem como compromisso fundamental à garantia dos direitos do cidadão.

Entendemos á partir deste estudo que a escola é responsável pela formação do cidadão, tendo como desafio estimular o potencial do aluno, sem desvalorizar suas diferenças socioculturais, trabalhar e incentivar o trabalho em grupos e a realização de atividades coletivas enfatizando a necessidade e importância das relações interpessoais na vida de cada um. E o Diretor-gestor tem papel importante nessa construção de conhecimento e nessa interação entre todos que frequenta o ambiente escolar. Em suma, sabemos que a escola é responsável pela elaboração e construção do conhecimento, ou seja, pela formação do individuo, porém enfrenta diversos problemas e desafios e por isso ela deve manter e investir em reuniões constantes com a família e toda a comunidade escolar visando estabelecer relações mais próximas onde todos queiram e tenham o prazer de frequentar o ambiente escolar.

 

REFERÊNCIAS:

 

ALARCÃO. Isabel – Escola reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

___________. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2003.

 

BOCK, Ana Mercês Bahia, Psicologia em Construção. In: Psicologia: Uma Introdução aos Estudos de Psicologia, Saraiva 2002

 

DEL PRETTE, A., & Del Prette, Z. A. P. (2001). Psicologia das relações interpessoais: Vivência para o trabalho em grupo. Petrópolis: Vozes.

GOERGEN, P. Ética e educação: o que pode a escola? In: LOMBARDI, J. C.; GOERGEN, P.Ética e Educação: reflexões filosóficas e históricas. Campinas: Autores Associados, 2005. (Coleção Educação Contemporânea)

LÜCK, Heloísa. et.al. A escola participativa: o trabalho do gestor escolar. 5.ed.

Petrópolis: Vozes, 2005.

 

_______________. A gestão participativa na escola. 9.ed. Petrópolis: Vozes, 2006.

 

MINUCUCCI, Agostinho – Relações Humanas: psicologia das relações interpessoais, São Paulo, Atlas 1.978.

 

OLIVEIRA, Z. M. R. (2000). Interações sociais e desenvolvimento: A perspectiva sócio histórica. Caderno do CEDES

 

PERRONE-MOISÉS, Leyla. Flores da escrivaninha – ensaios. São Paulo, Companhia das Letras, 2006.

 

PIAGET, Jean. Intelligence and affectivity: their relationship during child developmentAnnual Reviews, Palo Alto-CA , 1954 [ed. USA, 1981].

 

PUIG, Josep. A construção da personalidade moral. São Paulo: Ática, 1998a.

 

[1] Licenciado em Filosofia com Habilitação em Filosofia, Sociologia e Psicologia pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Administração Supervisão e Orientação Escolar pelo Universidade do Norte Paraná (UNOPAR); Especialização em Metodologia do Ensino da História pela Faculdade Integrada Espírita do Pará-Curitiba-Pr.

Autor:

Carliane Lima da Silva, Érika Ferraz Teixeira de Paula e Maria Leuzivânia Lacerda Oliveira

 

 

 

 

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